25/03/2015 by marioregueira

Um Dylan Thomas com gelo, por favor

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“Ele aqui bebia, mas bebia uma coisa normal. O que o matou foi o álcool americano”. Algo assim diziam os fregueses de Swansea-Abertawe quando lhes perguntavam pela morte do seu paisano Dylan Thomas. O poeta, famoso pela sua voz profunda e os seus recitais na BBC, quase tanto como pela sua intensa relação com o álcool, finara em Estados Unidos, no meio de uma turné. As causas da morte, ainda hoje questionadas, nunca poderão separar-se das suas últimas palavras: “18 whiskys, isto deve ser uma espécie de recorde”. Tratando-se de um poeta, pouco mais se precisa para criar uma lenda descomunal sobre os seus excessos

Dylan Thomas representa uma espécie de espinha cravada na consciência de Gales. A atitude do autor para o seu país de nascimento oscilou sempre entre o amor e o ódio, escorando muito habitualmente para uma aguçada ironia. “Terra dos meus pais, meus pais podem ficar com ela”, uma frase de uma das suas personagens que alude ao começo do hino galês e que, junto com a sua escolha exclusiva pela língua inglesa como ferramenta de criação o colocam num lugar difícil para a sociedade galesa. O poeta mais importante que saiu da terra dos bardos jamais escreveu uma linha na língua dos bardos. E não só isso, apesar de defender sempre a sua origem e a sua identidade galesa e encher com ela a sua obra, nunca permitiu que esta caísse na autocomplacência.

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O passado 2014 o país, e particularmente a cidade de Swansea-Abertawe celebrava o primeiro centenário de Dylan Thomas. Foi interessante ver como Gales resolvia a sua relação com o filho díscolo. A poeta em língua galesa Menna Elfyn dizia pouco antes do começo das celebrações: “expressou o que muitos de nós sentimos: às vezes adoramos odiar Gales”. Swansea-Abertawe, a “feia, bonita, cidade”, que dissera Dylan Thomas, encheu com a sua imagem as ruas, de forma que era muito difícil não tropeçar com ela. O moço alcoólico que a considerava um lar querido mas até verdadeiro ponto deprimente voltou ser o protagonista. Peneiraram os seus escritos até dar com qualquer referência à cidade para escrever nos muros dos museus. E não só a sua atitude irónica, senão também os seus excessos humanos foram aceites completamente.

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O Swansea Museum recreou numa das suas salas um velho pub da época da sua mocidade como elemento central da exposição que lhe dedicavam, e presenteava porta-vasos com a imagem do poeta como parte da entrada (ainda que não serviam álcool). Porém, se calhar, a melhor homenagem fez-lha a destilaria galesa Penderyn, dedicando-lhe um dos seus whiskys da colecção “Icons of Wales”. Poucos reconhecimentos maiores cabem a um poeta que se define a si próprio como bêbado que fazer parte da cultura etílica do seu país até o ponto de poder escutar como pedem os copos com o seu nome. Os fregueses insistem em que foi o álcool americano o que o matou. No fundo, e na Galiza bem o sabemos, sempre é o álcool que não é da casa o que nos mata. Se calhar por dar-nos o veneno junto com o antídoto é que temos que aprender a amar e odiar com as mesmas forças o nosso próprio lar.

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#Alcol#Dylan Thomas#Gales#Literatura

18/03/2015 by marioregueira

As férias da família Liddell

Llandudno (pronuncia-se algo semelhante a “Clandicno”) é um dos pontos turísticos mais relevantes do norte de Gales. A curva da sua praia concentra, mesmo no inverno mais cru, alvoroto de crianças e de banhistas temerários, dispostos a deixar-se iludir por um raio de sol. Os imensos complexos hoteleiros, alguns velhos, outros simplesmente em ruínas, olham para o mar com lembranças palpáveis de tempos melhores, e tanto o seu passeio marítimo como a sua doca estão cheios de atrações de feira e salões recreativos.

Há algo de irreal em Llandudno, se calhar porque o mais simples é chegar em comboio, por um caminho de ferro que por momentos parece atravessar as águas, ou se calhar porque o seu ambiente de turismo improvável, povoado de famílias e idosos reformados vagando entre atrações antigas, resulta incompreensível para quem chega de fora. No fundo, o que mais destaca da pequena cidade é uma estranha sensação de viva decadência. Algo que não só alude ao transcorrer dos anos, mas que parece fazer parte da sua natureza desde há muitos  tempo.

É provável que em meados do século XIX, quando o casal formado por Henry e Lorina Liddell decidiu comprar uma casa de campo para passar as suas férias de verão lá, Llandudno tivesse já algo desse ambiente. Muito provavelmente procedesse da sua recente transformação de vila galesa em destino de férias, algo que ainda hoje pode rastrejar-se bem no seu contorno. Henry e Lorina iam acompanhados dos seus muitos filhos e filhas, e muito pouco imaginaram que o lugar exato que escolheram para veranear seria lembrado mais de um século depois, e muito menos que uma das suas filhas pequenas acabaria tendo estátuas na cidade. Tampouco que se debateria durante muito tempo se, em algum desses luminosos verões da década dos sessenta receberam (ou não) a visita de um velho amigo de Oxford, o reverendo Dodgson.

Llandudno não foi outra coisa do que o pátio de verão de Alice Liddell, a menina para quem Lewis Carroll escreveria os dois livros de Alice (Alice no País das Maravilhas e Através do espelho). Desconhece-se se Carroll visitou os seus amigos em alguma ocasião, ainda que sim se encontram referências ao lugar nas suas cartas e parece ser que a morsa e o carpinteiro do segundo livro aludem a dois penhascos com esses nomes populares na costa da cidade. Se temos em conta que as duas personagens passeiam por uma praia, não é estranho pensar que algumas das areias da costa de Llandudno acabassem passando ao outro lado do espelho.

Penmorfa - Llandudno

Penmorfa, a casa dos Liddell

Fosse como fosse, Llandudno acolheu o seu protagonismo na criação de uma das obras referenciais da literatura universal de uma forma ambivalente. É certo que a cidade está cheia de estátuas com as personagens de Carroll, que propõem ao viajante a sua própria perseguição do coelho branco pela geografia. Do outro lado, porém, a velha casa dos Liddell foi demolida sem muito escrúpulo no 2008 para criar uma zona residencial, e no mesmo ano foi fechado o pequeno museu dedicado ao universo da Alice. A presença da personagem na cidade parece caminhar no estreito fio das relações literárias apócrifas, demasiado leve e demasiado aberta a debate, se calhar só apreciável para pessoas que sejam alícicas impenitentes. Do outro é provável que também exista o temor sensato de acabar construindo um grande complexo turístico que acabe por abalar o precário equilíbrio da zona

Em qualquer caso, não estou com nenhuma dúvida de que, mais alá das referências evidentes, existe uma relação inegável entre a cidade e os mundos irreais de Lewis Carroll. Pode ser que proceda de uma velha inspiração literária ou que seja produto de um contágio posterior padecido pela própria cidade, mas a estranheza que surpreende ao viajante pelas suas ruas e passeios é uma dessas experiências que vão além do simples turismo.

Alice

#Gales#Lewis Carroll#Literatura

08/04/2014 by marioregueira

(galego) Na presentación de Ático

26/03/2014 by marioregueira

(galego) Levando libros á fronteira

22/03/2014 by marioregueira

(galego) Bilbao

20/02/2014 by marioregueira

A Noite é necesaria

A Noite é necesaria
pra que ti poidas ver
sobre o medo e o mal
as estrelas arder.

Onte comezaba, co centenario do poeta, o ano Díaz Castro. Facíao por ese estraño calendario das nosas letras que rexe os seus propios ritmos. O autor a quen a beleza ferira para sempre, poeta dun único libro, e segundo as malas linguas (mal informadas, sobre todo), dun único poema, cumpría cen anos o mesmo 2014 no que as Letras Galegas decidiran, nun dos momentos máis convulsos da Academia, honrar a súa memoria.

Houbo medios de comunicación que se alegraron da escolla interpretando que o autor de Guitiriz fechaba unha época na Academia, unha época na que autores díscolos como Uxío Novoneyra, Lois Pereiro ou Roberto Vidal Bolaño politizaran en exceso unha festa que debera ser, ou así a entenden os bos galegos, neutral. Até o empresario Valentín Paz Andrade acabou por revelarse como unha figura incómoda, con ideas molestas e unha obra poética e ensaística moi pouco presentábel en canto a neutralidade. Sen dúbida Díaz Castro, poeta vencellado ao Seminario de Mondoñedo, que nunca se meteu en política e dunha relixiosidade que sobresae en cada poema, era o homenaxeado que os apolíticos preferiran, unha volta ao rego que impedía mover demasiado unha festa que nunca debeu pasar de ser un evento cultural.

Como xa falamos algunha vez a conto das manipulacións sobre Rosalía, a propia interpretación interesada de certos autores polos sectores máis reaccionarios é unha confirmación do seu enorme poder social e político, mesmo máis aló dos anos. Tamén ratifica que a literatura galega, polo seu propio contexto e a súa propia historia, é unha literatura que xogou a carta política mesmo cando os seus autores trataron de evitala. O mero feito de escribir na nosa lingua foi  moi a miúdo equivalente a facelo dende un campo de prisioneiros ou dende unha reserva india. Ás veces non é necesario explicitar un discurso para que este se faga evidente, o propio Manuel Antonio entendeu algunha vez que, por moito que quixese despolitizar a súa obra, o simple feito de estar a construíla nunha lingua de minorías sociais convertíaa nunha peza profundamente imbricada nesa realidade.

A tentativa de presentar un Díaz Castro descafeinado e neutral fala máis de quen a promociona que dos que vamos celebralo coa mesma intensidade que os queridos autores que o precederon. Díaz Castro foi un poeta que se mantivo lonxe de toda militancia, mais tamén foi un escritor que non puido evitar reflectir a abafante realidade que vivía a súa terra, mesmo estando afastado dela. Todo Nimbos é un canto profundo de amor á Galiza, mais tamén non pode lerse sen ter en conta o momento socio-político no que está composto. A queixa e a preocupación polo país que non move a tea dos seus soños, pola Galiza detida no tempo que moitos quererían así para sempre, están tan presentes na súa obra que admira que haxa quen pretenda pasalos por alto. E unha vez máis, a escolla da lingua é relevante, moito máis se temos en conta que o autor coñecía moitas outras coas que gañaba a vida e que pasou a maior parte da súa existencia en Madrid onde lle sería doado, como lle foi a tantos outros, esquecer as súas orixes.

Como ben dixo o poeta neses versos que poderían disputar espazo nas carpetas dos adolescentes á vella máxima de Tagore, a Noite é necesaria. Sen a Noite non veriamos os versos luminosos do Poeta Díaz Castro resplandecendo a súa dignidade por riba dos corenta anos de infamia que pretenderon facer desaparecer a nosa cultura ou coutala até o simple folclorismo. Sen esta Noite que agora ataca a nosa lingua tampouco poderiamos repetir os versos de Nimbos sorrintes e co ton orgulloso que podemos atoparlles, caendo como o orballo fresco na madrugada e temperando os nosos ánimos nos tempos sempre atroces. Obrigados pola Noite que fai resplandecer como lóstregos as expresións máis inocentes da nosa cultura. Obrigados por esa escuridade na que, até os homes tranquilos e temerosos do deus cristián, se remexen inquedos pola fortuna da súa terra e da súa lingua.

#2014#Activismo e resistencia#antifranquismo#cristianismo#Díaz Castro#Letras Galegas#Lingua#Literatura#Resistencia

08/11/2013 by marioregueira

Camus e nós

Do meu primeiro libro, o xa vello Rebelión no Inverno, a crítica comentara moito as influencias da primeira Nova Narrativa galega, cousa que naquel momento non deixara de sorprenderme xa que, quitando a Méndez Ferrín, na altura só coñecía a obra de autores como Xohán Casal e González Mourullo de estudar os seus nomes nos programas de literatura. Coido que só unha persoa sinalou que a influencia era máis ben das fontes que aqueles autores tiveran, algo ao que anos despois non deixo de dar a razón. Naquel momento as miñas lecturas estaban moi centradas no existencialismo e os seus autores, un movemento polo que considero que entrei na “lectura adulta”, entendendo por esta a que non viña imposta por programas académicos e á que, ademais me achegaba na tentativa de crear un proxecto literario propio. Debo dicir que, aínda que saíu no ano 2004, a maior parte de Rebelión no inverno foi producida entre os meus dezanove e os meus vinte e un. Unha obra, pois, de mocidade, como ben se nota aínda hoxe.

E precisamente, se teño que lembrar unha obra inaugural desas “lecturas adultas” é O estranxeiro de Camus, á que seguiu practicamente toda a súa narrativa e o ensaio O home rebelde, do que, como unha forma de facer xustiza, incluín unha cita no principio do libro.

Para arrepentirme tres días despois.

O Camus que eu admirei como escritor volvía aparecer no meu seguinte libro neste poema de Tanxerina, desta vez, choromicando sobre as planicies do Norte de África. Ese Alxeria na que naceu, que tinguiu para sempre os seus pés de negro e que acabaría marcando a ruptura con outros intelectuais do seu país e tamén, por que non dicilo, cunha parte importante da cultura galega, que nos anos cincuenta e sesenta vía nos procesos revolucionarios de descolonización un camiño viábel para as vellas nacións oprimidas de Europa.

Porén non foi esa a única ruptura. Que onte Camus fose trending topic non só fala de que siga habendo moitas persoas que non lle deron aínda as costas á cultura. Camus é ese pacifista revolucionario que se pregunta en O home rebelde se eran necesarios os crimes contra a coroa francesa para facer a Revolución, o capitán da revolta civil incruenta, que ve un camiño de futuro nas monarquías constitucionais nórdicas e que, sen caer na trampa de equiparar o comunismo cos totalitarismos fascistas, non deixa de sinalar as atrocidades feitas no seu nome. Camus chega á utopía irrealizábel polo lado máis inesperado: o cambio sen violencia, a revolución sen mortos. Unha aposta tan fermosa como imposíbel e que lle levará a romper tamén cunha parte da intelectualidade francesa. E novamente, aínda que el nunca o soubo, cunha parte da cultura galega anti-franquista, aínda que non dunha forma tan radical como coa cuestión territorial. Tamén eu, moitos anos despois, erguín os ollos decepcionado nalgún momento.

É doado que esa postura teña un eco hoxe nos movementos cívicos que propoñen un cambio de baixa intensidade a través da non violencia e que tanto éxito tiveron nos últimos anos. Non é casual tampouco que neste artigo de loanza se fale del para sinalar como non caeu nas “trampas do nacionalismo”, (referirase a ese nacionalismo tramposo que se erguía cunha enorme dignidade contra as masacres europeas no Norte de África). Da postura de Camus podemos salvar o esforzo ético, que chega a clamar até contra os asasinatos individuais dentro dos grandes procesos colectivos, pero tamén debemos recoñecer que, na súa fermosura, non serve para nada máis e que condena os movementos sociais á inacción e á derrota. E iso non quere dicir que a opción da violencia nos conforte, pero si cremos que pode ser unha resposta xusta e digna alí onde a opresión non deixa outra alternativa. Non cabe dúbida de que así foi no proceso de independencia de Alxeria, unha batalla épica polos dereitos dos pobos que nunca deberamos esquecer e na que a equidistancia de Camus debera ser lembrada como unha vergoña. Nin a Camus nin a ninguén lle ofreceron opción para nacer, e fíxoo nas camadas da potencia colonial, pero si tivo porén un lugar privilexiado para escoller situarse do lado dos oprimidos, lugar do que acabou renegando para defender unha paz que non deixaba de ser unha prolongación moderada da opresión.

Aínda así, tendo en conta todo isto a influencia de Camus entre nós foi moita. E eu mesmo continuo a recoñecer a súa xigantesca figura literaria, moito maior que as sombras que levantan a miúdo sobre as súas opcións éticas. Camus foi lido e representado por toda unha xeración, foi rexeitado por moitas personalidades da nosa cultura e porén segue a palparse a súa presenza nas posturas radicalmente anti-violentas dunha parte da política galega, a miúdo máis baleiras e timoratas que a súa propia.

Repasaba Agustín Fernández Paz onte polo twitter a escasa presenza das súas obras: O estranxeiro (descatalogada), A caída, e Os xustos, estas últimas seguramente non moi doadas de atopar. Esquecía porén unhas das miñas obras favoritas, precisamente porque sitúa un problema enriba da mesa sen impoñer unha solución a este: Calígula, que fala xustamente do tiranicidio como posíbel saída cando a liberdade está ameazada. A obra foi editada no ano 2000 co gallo da adaptación e representación que o Centro Dramático Galego fixo dela. E unha das probas de que vivimos nun dos países máis divertidos do mundo é que estaba prologada, entre outros, por Manuel Fraga.

#Activismo e resistencia#Albert Camus#Alxeria#Galiza#Lectura#Literatura

21/10/2013 by marioregueira

A cadea dos libros

Había ben tempo que non chegaba un meme aos peiraos deste porto, algo que deixa ver o estado de coma profundo no que se atopa a blogoleira, ou se cadra como foron mudando as súas dinámicas nestes anos. A graza deste meme, ou cadea, é que é sobre libros, ou sobre literatura, así que, aínda que sexa longo, imos facelo.

  • Quen te convidou: o camarada Francisco Castiñeira, un dos tenaces resistentes desa blogoleira que viviu mellores tempos. Como o meme é sobre libros vén a conto dicir que o Castiñeira sacou hai cousa dun ano un volume de relatos titulado Podería falar de nubes, unha obra que tiven a honra de presentar na súa primeira rolda pola cidade da Coruña e á que vos recomendo que  lle botedes un ollo.
  • Convidamos a tres blogues para que sigan a cadea. Pois non está doada a cousa, e menos neste tempos, pero aí vamos: O outro lado do espello, que sempre recolle o testemuño destas cousas, Txiki Calvo, aproveitando que por enésima vez volve a bloguear e Montse Dopico, que o outro día falaba comigo de que quería retomar a actividade nun blogue tan interesante.

As preguntas:

  1. O último libro que liches.

    Tantos cabaliños lindos de Cormac McCarthy, pero é probábel que entre que escribo isto xa mudase xa que, por distintas obrigas, ando a ler uns cantos libros á semana.

  2. O libro que mudou o teu xeito de pensar.

    Sempre cheguei tarde aos grandes libros que converteron a outras persoas. Normalmente colléronme convertido ou ben xa completamente perdido para as súas causas. Noutro sentido, libros como Rayuela de Cortázar ou Trilce de César Vallejo mudaron moito a miña relación coa literatura, tamén no relativo á escrita.

  3. O último libro que che fixo chorar.

    Seguramente foi Expiación de Ian McEwan, antes del, Rastros de Vidal Bolaño e antes aínda Peter Pan e Wendy, de Barrie. E xa, creo que ao longo da miña vida só o conseguiron eses tres libros. Non son eu moito de chorar lendo, que se estragan as páxinas.

  4. O último libro que che fixo rir.

    Rir moitos, pero posiblemente os únicos cos que o fixen a gargallada aberta foron O bosque dos raposos aforcados, de Arto Paasilinna e Como acabar dunha vez por todas coa cultura, de Woody Allen, particularmente o capítulo dedicado aos libros de memorias e á Xeración Perdida. Ah, e tamén rin a gargalladas co Quixote, algo que non todo o mundo acaba de entender.

  5. O último libro que che prestaran e non che devolveran.

    Son bastante mirado para iso, e non me esquezo de reclamar os préstamos, así que se non o reclamei é ou porque non me lembro ou porque renunciei xa a recuperalo e pasei a consideralo a miña contribución á instrución e á cultura d@ descerebrad@ que se quedou con el (mal raio @ parta).

  6. Un libro que che emprestaran e que non devolveras.

    Claro, que o vou contar aqui… Non en serio, hai moitísimo tempo que debo a biografía en verso que Viktor Sklovski fixo de Maiakovski e tamén as memorias de Luís Soto. Por sorte déboos a bos amigos que aínda van agardar un pouco máis a facerme un boneco vudú.

  7. Un libro que relerías.

    Alguén dixo unha vez que grande pracer da literatura non era a lectura, senón a relectura. En calquera caso, se en algo ten razón o vello pailaroco de Harold Bloom é en que a nosa sociedade non ten tempo para ler todo o que debera ler. É por iso que considero a relectura un luxo, habendo tantas e tantas obras novas. De facela, case sempre é unha relectura parcial, de obras que xa coñecía pero que acaban de ser traducidas ao galego.

  8. Un libro para agasallar a cegas.

    Pois nin idea. Seguramente, e facendo un pouco de trampa, a banda deseñada Emigrantes de Shaun Taun. Serve tanto para agasallar a cegas que por non ter non ten nin texto e conta un relato universal do que nunca nos damos librado: a emigración.

  9. Un libro que te sorprendeu para ben.

    Será porque presenta un mundo fantástico con gorentosos toques de steam-punk, será porque presenta un universo paralelo cunha Cataluña independente, será porque ao mellor saen as meigas galegas nas futuras entregas, ou será pola sorpresa de verme, aos meus anos, pendente dun conto de fadas, pero diría que calquera da saga Reckless de Cornelia Funke, marabillosamente editados na nosa lingua por Xerais.

  10. Un dos primeiros libros que liches na escola.

    Non lembro nada digno de mención nos primeiros libros da escola, alén de que non foron moitos. Se cadra, o tardío Rebeldes, de Susan E. Hinton, que me fixeron ler ao borde da adolescencia e que, naquel Ferrol que saía dos convulsos 80 para entrar nos convulsos 90 falaba de cousas ben coñecidas: cuadrillas de marxinais petándose contra cuadrillas de nenos ben.

  11. Un libro que roubaches.

    Claro, que o vou contar aquí… Veña, non foi un roubo premeditado, pero a ocasión que fai ao ladrón quixo que arrebatase un exemplar de O retrato de Dorian Gray duns grandes almacéns. De cara ao futuro, levo anos tramando un plan para espoliar todos os libros da Libraría Couceiro de Compostela, ando buscando un camión o suficientemente grande, e namentres voume gañando a confianza da xente que traballa alí e aproveito para estudar a estrutura do edificio.

  12. Un libro que atoparas perdido.

    Hai anos, nunha das miñas primeiras visitas a Lisboa, atopei A brincadeira de Milan Kundera, perfectamente apoiado contra unha farola dun miradouro. Estaba tan ben colocado que non me atrevín a collelo, aínda que sempre me lembrarei do detalle. Daquela comezaba a popularizarse o BookCrossing e creo que sinxelamente non souben identificar que era un libro para levar. Volvín ao miradouro nunha das últimas viaxes, pero o libro xa non estaba. Por sorte, Lisboa sempre é xenerosa e deixa outros agasallos nos lugares máis insospeitados.

  13. O autor do que máis libros tes.

    Sen dúbida Méndez Ferrín. Un autor que lin con fruición na primeira mocidade, que practicou case todos os xéneros e que aínda agora ocupa unha parte importante da miña tese de doutoramento.

  14. Un libro valioso.

    Sentimentalmente, todos os libros que herdei do meu avó. Especialmente El resplandor de la hoguera, de Valle-Inclán, o libro que atopamos na súa mesa de noite e que, a xulgar pola marca, non chegou a acabar. Telo nas mans sempre me fai pensar cal será o libro do que a morte me roubará o final para sempre.

  15. O libro que estás a ler agora mesmo.

    Simultaneo tres, pero o que vou ler con máis vagar e devezo vai ser Cartas de aniversario, o derradeiro libro de Ted Hughes.

  16. Un libro que prohibirías.

    Os libros non se prohiben, combátense con outros libros mellores. E ningún libro xustifica as barbaridades que poidan cometerse no seu nome porque son as mans das persoas, e non as súas páxinas, as que as realizan.

  17. Un libro que levas tempo querendo ler.

    Moitísimos, seguramente demasiados. Por ir aos clásicos pendentes, o Decameron de Bocaccio editado por Rinoceronte, que leva xa un tempo na casa, será que me impresiona o seu volume.

  18. O próximo libro que vas ler.

    Pois algunha novidade das que chegaron ultimamente (é o que ten facer crítica), o que máis me gorenta é A música das esferas de Carlos Lema.

  19. O libro que non lerías endexamais.

    Unha vez preguntáronlle a Lampedusa por que lía novelas de vaqueiros e contestou algo así como que tamén había que saber aburrirse. Non hai libros que non lería, até as crónicas atroces dos tertulianos da Cope e as morrocotudas sagas pseudo-eróticas que andan entre os máis vendidos espertan o meu interese e serven para ese saber aburrirse. Naturalmente, non hai libros que non lería, pero si hai libros que non vou ter tempo para ler e que andan polo fondo da cola de admisión.

  20. A túa triloxía ou saga preferida.

    Ando tentado de dicir Reckless de novo, pero case que lle vou dar tempo a autora para rematala e vou ir ao clásico O señor dos aneis, de Tolkien.

Listo, ten razón o Castiñeira que leva tempo, pero tamén é ben entretida de facer, a ver se as convidadas se animan. E non quero rematar sen facer un chamamento a que leades (e a ser posíbel merquedes) calquera dos libros que saen ao longo deste artigo, particularmente os que están editados na nosa lingua, en edición física ou electrónica, pero apoiando sempre o libro galego, que ten unha longa remontada por diante.

#Blogoleira#Cotidiano#Lectura#Libros#Literatura#Memes

01/08/2013 by marioregueira

As palabras (e o Festival de Poesía do Condado)

Quedan algo máis de dez días para que o Festival de Poesía do Condado remate a súa campaña de financiamento, e resulta case obrigado animar ás persoas que aínda len esta humilde e irregular bitácora a que axuden a dar ese pulo final que permita chegar ao obxectivo marcado.
A estas alturas case calquera cousa que se poida dicir sobre o Festival da Poesía do Condado será, seguramente, redundante. Calquera persoa que ande metida no mundo das letras sabe do seu valor, da súa lonxevidade e da importancia do traballo das persoas que axudaron, en todo este tempo, a mantelo vivo. Nun país que produce tanta poesía como produce o noso, resulta estraño decatarse de que poucas son realmente as iniciativas que a valoran na medida en que o merece, facéndoa protagonizar actos coma este.
Porén, non só por iso resulta importante que o Festival se manteña vizoso e vivo. Ademais de favorecer a difusión da obra poética, de dar de comer e beber ás persoas que a producen e aínda de fortalecer os lazos que o noso país ten coa lusofonía, o Festival de Poesía do Condado cinguiuse sempre ao lado máis subversivo que teñen as palabras, deixándose empapar polo seu discurso para reivindicar a utopía, mundos máis xustos, ou desobediencias como a deste ano. Dalgunha forma, se agora precisan o noso apoio é porque nunca apostaron por reducir a palabra das poetas aos límites cómodos dos libros, os actos puntuais ou os discursos institucionais. A súa dedicación foi a de facer fluír os versos cara á comunidade, empregalos como claves na súa liberación, fomentar esa noite máxica na que a distancia entre nós e as palabras se reduce até desaparecer. Axudemos a que o seu traballo poida durar moitos anos máis e a que poidamos seguir despedindo o verán nesa festa anual ao pé do Miño.

Como curiosidade, o verso co que comeza o meu discurso de apoio (na parede a na miña boca) é dun dos poemas máis fascinantes escritos nunca: You are welcome to Elsinore, de Mário Cesariny, e que algún día aprenderemos a recitar como convén.

#Activismo e resistencia#Cotidiano#Literatura#poesía
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