17/12/2018 by marioregueira

As versões do galego

Imagem de jcbrandon (CC BY 2.0)

Uma tragédia de Shakespeare. Assim qualificava Paul McCartney a história da banda Badfinger, de como o tiveram todo para triunfar (o próprio apoio dos Beatles a começos dos anos 70) e mesmo assim acabaram espatifándo-se, abrindo a caixa dos desastres, discos retirados e suicídios das suas principais figuras incluídos. Resulta curioso como a história do grupo é relativamente desconhecida, apesar da enorme popularidade dum dos seus temas. Whithout You, canção que ainda muita gente pensa que é de Nilsson, que a interpretou em 1972, e outra gente mais nova que é de Mariah Carey, que o fez em 1994. E não é tão estranho escutar pessoas de ambas gerações discutindo sobre se o tema é dum ou doutra.

Ninguém aguardava este ano a popularidade que as versões em galego tomariam na cultura de massas do Estado espanhol, também não que alguma delas acordaria velhas questões que, por momentos, parece que só têm importância na Galiza. Questões que aparecem conforme se vão apagando os ecos e vozes de alem-mundo da caverna espanhola depois duns meses de clamar contra a incorporação da Galiza na Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Placa no Castelo de Guimarães, adaptada de Béria L. Rodríguez (CC BY-SA 3.0)

Fala A Galiza português? Fala a lusofonia galego? A transmissão das línguas é similar à das versões musicais, ainda conservando uma parte importante da informação, ao menos a instrumentação e a voz que canta mudam. E porém, mesmo precisando duns segundos para dar-nos conta, se conhecemos a primeira, imediatamente entenderemos de que se trata da mesma música. Melhorada ou não, mas é uma simples versão. O que se fala a sul e norte do Minho deriva da mesma língua musical na que o compostelam Johán Airas e o rei português Dom Dinís compunham as suas cantigas. A gente do antigo Condado Portucalense, já convertido em reino pelos azares da História, levou-a primeiro ao sul da fronteira de Coimbra, e depois a América, África, Ásia e Oceânia. Em todos esses territórios misturou-se de novo, semeou línguas crioulas e contagiou-se de vozes indígenas e de palavras estrangeiras. É a mesma língua, na que, numa viagem de regresso desde o Brasil que a ele mesmo fascina, fala Caetano Veloso cada vez que nos visita. E claro que há diferenças, e nessas diferenças é que reside também uma parte da nossa identidade mas, se atendemos, podemos escutar o mesmo sotaque da Costa da Morte numa rua dos Açores, um velho refrão da nossa avó numa praia de Rio ou alguma das exclamações familiares em alguma ilha do Pacífico.

Num dos meus livros o protagonista fala dum disco de versões que está gravando. Fala delas como duma sorte de magia, da forma na que uma canção é reconhecível, mas também é diferente e ao mesmo tempo transportam-nos ao ponto no que a escutamos pela primeira vez. Gosto de pensar que algo disso se mantém na relação da língua galega com as suas variantes históricas, que serve para mantermos algo daquele primeiro eco no que tudo começava.

Por certo, uma das concursantes do certame musical Music Idol (edição búlgara) deixou atónito ao juri e a méio mundo quando anunciou que ia cantar Ken Lee de Mariah Carey. Porém, com melhor ou pior interpretação, ou com um sotaque mais ou menos marcado, o tema seguia a ser claramente Without You. De Badfinger, que eram galeses e tiveram uma má sorte digna duma tragédia de Shakespeare. Ou dalgum velho reino do sul da Europa.

Placa em Swansea-Abertawe, imagem adaptada de Reading Tom – (CC BY 2.0)

#Badfinger#Brasil#Gales#Galiza#Lusofonía#OT#Portugal#Reintegracionismo#Sabela

13/09/2017 by marioregueira

(galego) Adeus, Xohana

02/05/2017 by marioregueira

Caetano, de novo na Galiza

Teresa Cristina e Carlinhos Sete Cordas representavam uma viagem ao passado. A história do samba pode percorrer-se quase sem equipagem, só com voz e guitarra, assim, ainda que deitemos em falta a intro original de Preciso me encontrar, Cartola e os seus letristas apareciam ressuscitados numa actuação com poucos artifícios. Tão singela que poderiam transferí-la a um bar, ainda que não podemos enganar-nos, seguramente a maior parte do público não responderia calidamente a um espectáculo que percebiam como um simples aperitivo.
Assim, se Cartola era uma parte da história da música popular brasileira, Caetano representava o seu ponto culminante, a sua continuação natural. E suspeito que o concerto foi programado seguindo esse mesmo princípio. Uma colecção de grandes sucessos que se moviam com fluidez entre as raízes da bossa, a renovação que supôs o tropicalismo e algumas (muito poucas) referências à carreira imediata do cantor. A última vez que vim a Caetano ao vivo foi há quase uma década no mesmo Palácio da Ópera da Corunha, num concerto dentro da gira do . Caetano fizera um disco de rock com quase sessenta e cinco anos, e aparecia vestindo jeans, saltando pelo palco e acompanhado de uma banda formada por pessoas novas. Conseguira fazê-lo mais uma vez, ser capaz de encarnar simultaneamente história e músculo impulsor da música brasileira. O Caetano do passado domingo estava já mais perto do João Gilberto que de qualquer coisa que tivesse algo a ver com o rock. Sentado com o violão durante a maior parte da actuação, Caetano poderia ter gravado um grandes sucessos ao vivo, algo mais que suficiente para a maior parte do público da Galiza. Seguramente éramos só uns poucos os que ficamos com vontade de ter, ademais, outra coisa, ainda que fosse escutar Um comunista na véspera imediata do primeiro de Maio.

Os idosos do lugar lembram sempre dum dos primeiros concertos de Caetano na Galiza, a finais dos anos oitenta. Parece que se dirigiu ao público consciente de que estava a tocar na terra na que nascera a língua portuguesa, uma língua que seguimos a falar com particularidades próprias e à que demos o revolucionário nome de galego. A consciência linguística de Caetano não é habitual nos artistas brasileiros, que tratam de expressar-se muitas vezes num portunhol que deixa surpreendido (ou irritado) a uma parte do público. Para alguém que disse que uma das coisas mais maravilhosas do Brasil era que falasse a língua portuguesa, é evidente que a maravilha continua no facto desta ter-se originado em boa parte dum território que não faz parte de Portugal. Assim, uma parte do público aguardava que aparecessem de novo essas velhas cumplicidades. “Sempre que venho a Corunha falo português porque sei que vocês percebem. E gosto muito de que seja assim”. Desta vez não houve alusões ao sotaque lindo da gente quando cantou com ele, como em Vigo no 2003, mas foi suficiente para lembrar que Caetano segue a ser uma das poucas pessoas com consciência cultural dos lugares nos que canta. Com virtudes e defeitos, seguimos a olhar para ele como quem olha para as maravilhas e os milagres.

#A Corunha#Ao Vivo#Caetano Veloso#Carlinhos Sete Cordas#Cartola#Concertos#Galiza#MPB#Teresa Cristina

08/11/2013 by marioregueira

Camus e nós

Do meu primeiro libro, o xa vello Rebelión no Inverno, a crítica comentara moito as influencias da primeira Nova Narrativa galega, cousa que naquel momento non deixara de sorprenderme xa que, quitando a Méndez Ferrín, na altura só coñecía a obra de autores como Xohán Casal e González Mourullo de estudar os seus nomes nos programas de literatura. Coido que só unha persoa sinalou que a influencia era máis ben das fontes que aqueles autores tiveran, algo ao que anos despois non deixo de dar a razón. Naquel momento as miñas lecturas estaban moi centradas no existencialismo e os seus autores, un movemento polo que considero que entrei na “lectura adulta”, entendendo por esta a que non viña imposta por programas académicos e á que, ademais me achegaba na tentativa de crear un proxecto literario propio. Debo dicir que, aínda que saíu no ano 2004, a maior parte de Rebelión no inverno foi producida entre os meus dezanove e os meus vinte e un. Unha obra, pois, de mocidade, como ben se nota aínda hoxe.

E precisamente, se teño que lembrar unha obra inaugural desas “lecturas adultas” é O estranxeiro de Camus, á que seguiu practicamente toda a súa narrativa e o ensaio O home rebelde, do que, como unha forma de facer xustiza, incluín unha cita no principio do libro.

Para arrepentirme tres días despois.

O Camus que eu admirei como escritor volvía aparecer no meu seguinte libro neste poema de Tanxerina, desta vez, choromicando sobre as planicies do Norte de África. Ese Alxeria na que naceu, que tinguiu para sempre os seus pés de negro e que acabaría marcando a ruptura con outros intelectuais do seu país e tamén, por que non dicilo, cunha parte importante da cultura galega, que nos anos cincuenta e sesenta vía nos procesos revolucionarios de descolonización un camiño viábel para as vellas nacións oprimidas de Europa.

Porén non foi esa a única ruptura. Que onte Camus fose trending topic non só fala de que siga habendo moitas persoas que non lle deron aínda as costas á cultura. Camus é ese pacifista revolucionario que se pregunta en O home rebelde se eran necesarios os crimes contra a coroa francesa para facer a Revolución, o capitán da revolta civil incruenta, que ve un camiño de futuro nas monarquías constitucionais nórdicas e que, sen caer na trampa de equiparar o comunismo cos totalitarismos fascistas, non deixa de sinalar as atrocidades feitas no seu nome. Camus chega á utopía irrealizábel polo lado máis inesperado: o cambio sen violencia, a revolución sen mortos. Unha aposta tan fermosa como imposíbel e que lle levará a romper tamén cunha parte da intelectualidade francesa. E novamente, aínda que el nunca o soubo, cunha parte da cultura galega anti-franquista, aínda que non dunha forma tan radical como coa cuestión territorial. Tamén eu, moitos anos despois, erguín os ollos decepcionado nalgún momento.

É doado que esa postura teña un eco hoxe nos movementos cívicos que propoñen un cambio de baixa intensidade a través da non violencia e que tanto éxito tiveron nos últimos anos. Non é casual tampouco que neste artigo de loanza se fale del para sinalar como non caeu nas “trampas do nacionalismo”, (referirase a ese nacionalismo tramposo que se erguía cunha enorme dignidade contra as masacres europeas no Norte de África). Da postura de Camus podemos salvar o esforzo ético, que chega a clamar até contra os asasinatos individuais dentro dos grandes procesos colectivos, pero tamén debemos recoñecer que, na súa fermosura, non serve para nada máis e que condena os movementos sociais á inacción e á derrota. E iso non quere dicir que a opción da violencia nos conforte, pero si cremos que pode ser unha resposta xusta e digna alí onde a opresión non deixa outra alternativa. Non cabe dúbida de que así foi no proceso de independencia de Alxeria, unha batalla épica polos dereitos dos pobos que nunca deberamos esquecer e na que a equidistancia de Camus debera ser lembrada como unha vergoña. Nin a Camus nin a ninguén lle ofreceron opción para nacer, e fíxoo nas camadas da potencia colonial, pero si tivo porén un lugar privilexiado para escoller situarse do lado dos oprimidos, lugar do que acabou renegando para defender unha paz que non deixaba de ser unha prolongación moderada da opresión.

Aínda así, tendo en conta todo isto a influencia de Camus entre nós foi moita. E eu mesmo continuo a recoñecer a súa xigantesca figura literaria, moito maior que as sombras que levantan a miúdo sobre as súas opcións éticas. Camus foi lido e representado por toda unha xeración, foi rexeitado por moitas personalidades da nosa cultura e porén segue a palparse a súa presenza nas posturas radicalmente anti-violentas dunha parte da política galega, a miúdo máis baleiras e timoratas que a súa propia.

Repasaba Agustín Fernández Paz onte polo twitter a escasa presenza das súas obras: O estranxeiro (descatalogada), A caída, e Os xustos, estas últimas seguramente non moi doadas de atopar. Esquecía porén unhas das miñas obras favoritas, precisamente porque sitúa un problema enriba da mesa sen impoñer unha solución a este: Calígula, que fala xustamente do tiranicidio como posíbel saída cando a liberdade está ameazada. A obra foi editada no ano 2000 co gallo da adaptación e representación que o Centro Dramático Galego fixo dela. E unha das probas de que vivimos nun dos países máis divertidos do mundo é que estaba prologada, entre outros, por Manuel Fraga.

#Activismo e resistencia#Albert Camus#Alxeria#Galiza#Lectura#Literatura

23/06/2013 by marioregueira

O xuízo de tod@s


 

Por se aínda non o saben, mañá, co fume das fogueiras perfumando aínda o aire, unha parte importante da sociedade galega será xulgada en Madrid. E digo ben cando digo “unha parte importante da sociedade galega”, a causa que enfrontan @s catro independentistas non @s atinxe en solitario. O feito de que se chegue a dar por boa unha suposta trama terrorista con tentáculos no tecido asociativo galego é unha cuestión que afecta a toda a nosa sociedade civil e contribúe á criminalización inmediata dunha cuantiosa parte dos seus membros.

Non cabe dúbida a estas alturas de que o xuízo que comeza mañá é un deses procesos que nunca debera darse nunha sociedade que pretenda chamarse democrática. Os usos lexislativos e procesuais que se empregaron para combater o chamado “problema vasco” foron sempre perigosos, e bambearon na corda frouxa de mesturar o criminal co ideolóxico. Unha boa mostra foi o proceso 18/98, que afectou a multitude de asociacións baseándose na mesma feble ligazón co terrorismo á que abre a porta este novo xuízo.

Naturalmente o totalitarismo do aparato lexislativo español non parou por aí, e posibilitou un avance paranoico na extensión do concepto de terrorismo que fai que hoxe en día un cidadán poida chegar a conformar unha célula terrorista polo simple feito de vivir con outra persoa e sen sequera saber o que é unha arma de fogo. Non caso concreto do proceso que comeza mañá, existe tamén a construción dunha suposta organización terrorista que nunca puido ser demostrada. O peso dalgunha das probas presentadas contra estas persoas remiten a garrafas baleiras e intensa participación no activismo social.

Responde a lóxica perversa do propio sistema que a imposibilidade de dar unha proba obxectiva remita irremediabelmente á subxectividade de cada quen, un mecanismo no que a prensa xoga un papel fundamental á hora de espallar unha noción de criminalidade que non pode ser demostrada facticamente. No subxectivo, é dicir, no político, hai moitas persoas que identificarán loitar pola independencia da Galiza co terrorismo, da mesma forma que hai moitas que identifican como ilegal a rotulación en galego das estradas. Porén, esas e outras cuestións sentimentais non deberan ter nada que pintar nun estado de dereito.

Pero na eterna adolescencia dun Estado español que conserva estruturas e xeitos de actuar herdados do franquismo, téñeno. Mañá xulgan as nosas ideas políticas, xulgan o peso das nosas loitas incruentas por un mundo mellor e unha Galiza soberana, xulgan o amor pola nosa terra, dende a construción social á que chamamos nación até a simple noción de contorno ecolóxico que tratamos de preservar.

#Activismo e resistencia#Galiza

13/03/2013 by marioregueira

Entrevista en Criticalia

Saíron esta mañá as miñas respostas ao cuestionario que Armando Requeixo pasa a distintos creadores da literatura galega, unha forma de medir o pulso á nosa cultura que xa ten a súa historia detrás e que seguramente terá aínda moita máis por diante. Sen dúbida a lectura destes Parlamentos das Letras será aínda máis interesante en perspectiva, na comparativa, ou dentro duns anos, que é cando a min me ten graza ler as entrevistas. De momento esta é a miña visión, o pulso acelerado do tempo que vivimos, e por aí andan as lecturas que me seguen acompañando, a perspectiva sobre a miña propia obra e, como non podía ser doutro xeito, tamén o meu punto de vista sobre a cultura galega e o que están facendo e desfacendo con ela.

#Creación#Crítica#Edición#Entrevistas#Galiza#Literatura

31/01/2013 by marioregueira

O principiño

Cando lin a nova de que Galaxia chegara ás vinte edicións do Principiño, botei contas e memoria. Eu tiven un exemplar dunha desas edicións. Non só o tiven, senón que gardo unha lembranza concreta do día que arrinquei o papel de agasallo que o cubría e o examinei entre abraiado e estrañado. Foi nunha casa da zona do Inferniño de Ferrol e, se me guío pola dedicatoria que aínda figura na primeira páxina, foi o dous de marzo de 1986, o día do meu sétimo aniversario. Na época tiña xa algúns contos en galego, pero sospeito que O Principiño debeu ser o meu primeiro libro na nosa lingua. Falo de libro en relación á lonxitude e tamén o tipo de edición, aquela era a quinta e viña, sospeito que como todas “con dibuxos do autor.” Sorpréndeme lembrar de mans de que persoa da miña familia veu, particularmente porque nunca máis, nin sequera nas épocas nas que máis me interesei pola literatura en galego, me agasallou nada que non estivese na lingua do Imperio. As miñas teorías de que a actitude da nosa sociedade cara á lingua tivo un pico de atención e empatía nos primeiros anos do Estatuto baséanse tamén neste tipo de cousas. Ese pico de preocupación, que se desinchou ou caeu no foxo da desilusión nos anos que seguiron, deixoume polo menos un libro que ler e reler durante unha boa parte da miña infancia.

Non podo dicir que gostase do Principiño naquel momento. Máis ben me pareceu un libro desacougante e estraño, algo que tiña moitos puntos en común con algúns programas míticos da época (Planeta Imaginario), que seguramente trataban de esporear imaxinacións pola vía dun surrealismo adaptado á mocidade. É algo que tamén teño asociado ás lecturas en galego daquela época, que por azar, polo momento ou por unha mala escolla previa, dirixíanse sempre a ese lugar que espertaba máis preguntas que respostas, onde os discursos non eran compracentes e existía unha certa tendencia á incomodidade e o desacougo. Era algo que saltaba dende as páxinas das Cousas de Castelao e dos Biosbardos de Blanco Amor, lecturas que, dentro da pequena biblioteca que había na casa, alguén considerara axeitadas para un rapaz novo e que posibelmente non o fosen. E foi algo que, salvando as evidentes distancias, tamén atopei no Princiño, ese best seller do que tanta xente se recoñece levemente traumatizada.

Mesmo así, alegroume moito ter o libro de Saint-Exupéry no meu acervo de lecturas dende tan cedo e conservo como un tesouro ese primeiro libro que puiden chamar meu. Dalgunha forma foron esas características que saltaban na literatura en galego que me chegaba as que me fixeron ficar por ela. Unha vez que cansei dos discursos brandos e fáciles, foi doado volver a aquela falta de compracencia que lembraba de ler na miña lingua e pescudar na súa escuridade.

#Cotidiano#Galiza#Lectura#Literatura

28/01/2013 by marioregueira

Falemos galego

Xa o dicían os míticos da Roda en época tan temperá como o 1979: falemos galego na rúa e na escola. O que ninguén sospeitaba é que, máis de trinta anos despois, os lemas inxenuos do principio da chamada transición política volverían coa súa candidez, obrigados por circunstancias atroces. Non sei se fun o único que se decatou do punto surrealista que tiña a mobilización de onte, comezando polo lema. Queremos galego na escola é unha proclama do final da ditadura, non de 2013. E seguramente sexa ese un detalle que, no fragor das batallas, está pasando desapercibido: a forma na que estamos obrigados a rebaixar o horizonte de expectativas da nosa lingua. Se hai anos alguén me preguntase en que manifestacións relacionadas co galego me vería no 2013, seguramente respondería que en ningunha, ou en todo caso, nas que atinxían a problemáticas concretas: o galego na universidade, o galego na ciencia, o galego como lingua internacional… En ningún caso agardaría ter que seguir loitando por algo polo que xa loitaran as xeracións precedentes. O camiño que quedaba por andar era lento e frustrante, pero de ningunha forma parecía que puidese incluír un retroceso tan brutal como o que sofreu o estatus da nosa lingua nestes anos.

A pesar de que a escalada lexislativa castelanizadora non é só contra a lingua galega, e responde ás mesmas concepcións caducas e imperialistas do Estado español que o levarán cara á súa última debacle, é certo que o caso da nosa terra segue a ser particular. Nunha realidade enrocada na esencialidade do poder político, a forma de medir a importancia da nosa cultura pasou e pasa polo cálculo de deputados galeguistas nas distintas esferas de poder. E non cabe dúbida que é unha cuestión importante, pero moi habitualmente esquecemos que cada unha das nacións históricas do Estado español ten a súa propia circunstancia e que, de todas elas, a máis disímil é precisamente a nosa. Nin vascos nin cataláns mantiveron as súas linguas coa mesma saúde que a nosa, que aínda hoxe pode dicir de si mesma que é a lingua cooficial con máis falantes porcentuais no seu territorio e a única que supera nese aspecto ao castelán. Os nosos veciños tamén non desenvolveron as súas ideoloxías políticas dándolle ás respectivas linguas a centralidade que a galega ten no pensamento galeguista. Aquel “se aínda somos galegos é por obra e gracia do idioma” de Castelao tiña moito de fundacional e aínda hoxe funciona como único baremo da galeguidade para moitas capas da poboación. En parte, esa saúde, cimentada sen dúbida en causas conxunturais como o afastamento e abandono por parte do poder central, que favoreceu unha ruralización persistente da nosa terra, serviu ironicamente como un freo a determinadas posicións políticas. É moi difícil convencer unha sociedade de que a lingua que fala o 90% dos seus membros está en perigo de morte. A diferenza entre bilingüismo e diglosia, problema ao que xa se enfrontaran os primeiros galeguistas, ten, queiramos ou non, unha dimensión sutil da que aínda hoxe é allea a maior parte da poboación. A súa simplificación e a negación do conflito lingüístico segue a ser algo tristemente presente nos discursos antigalegos, da mesma forma que o foi durante a longa noite do fraguismo.

Porén, se o galego vai ser a lingua máis difícil de marxinalizar na uniformización que pretende a dereita española, si que é certo que a súa posición de avantaxe obxectiva foi algo que non soubemos xestionar nestes últimos trinta anos. A caída libre na que se atopa fai aínda máis doloroso ter que volver a proclamas dos anos setenta, as mesmas que saían nas portadas dos discos da Roda. Porén, tamén é agora, nunha situación crítica, cando máis precisa a nosa lingua do noso compromiso. Un compromiso individual, diario, que non renuncie a ningunha das batallas cotiás. E tamén un compromiso colectivo, aínda que só sexa para que dentro de trinta anos, alguén lea nas crónicas xornalísticas que unha enorme representación da sociedade galega se rebelou nos violentos anos dez contra a perda da súa identidade.

#Activismo e resistencia#Galiza#Lingua

31/10/2012 by marioregueira

Feliz Samaín

O debate é vello e non paga a pena aventalo, sobre todo porque xa o fixen hai dous anos e creo que na fase anterior do blogue unhas cantas veces máis. Hoxe o meu corazón está coa xente das vilas e barrios da Artabria, que tallará cabazas e nabos para prenderlles unha luz que afaste os malos espíritos, mentres se arman de castañas e beberaxes quentes para comezar a parte máis fría do curso estacional. Se na etimoloxía irlandesa o Samain viña a significar “a fin do verán”, unha vez máis a data vén a atoparnos, coa súa simboloxía doente, no principio de tempos duros. E porén, se como sabemos esta noite se abren as portas entre os dous mundos, tamén nos chega por ese contacto a forza do alén, a das nosas devanceiras, as persoas esforzadas e loitadoras que fixeron que esta cultura sobrevivise os máis duros invernos.
A cabaza deste ano (roubada de aquí, e á súa vez destas instrucións), esta feita cun vello libro, e non é por nada, xa que no inverno que vén teremos que coidar, entre outras moitas cousas, da nosa lingua e da industria cultural que a mantén viva. Que o seu lume siga alumeando, espantando os malos presaxios e devolvéndonos as forzas para encarar os novos retos e o frío dun inverno que, coma todos, acabará por pasar, impotente á hora de dobregarnos como pobo.

#Cotidiano#Galiza#Samaín

25/10/2012 by marioregueira

Paisaxe despois da paisaxe

Non pretendo facer do blogue un monográfico sobre as eleccións, aínda que supoño que o tema seguirá dando voltas un tempo até que comece a cansar aos máis, incluído eu. A fin de contas non facemos outra cousa que lamber as feridas e facer historia-ficción cara a atrás, ante a imposibilidade de poder facela cara a adiante coa mesma forza que antes. Hoxe esperto cun artigo de Anxo Quintana, errático coma moitos outros que autoavalían estes días o declive do Bloque, pero ao que polo menos se pode retrucar sen dicir obviedades.

Comezo polo final, porque é ben certo que a forza do proxecto soberanista catalán parte dunha perspectiva integradora, un catalanismo “para toda a sociedade” que permite que de esquerda a dereita exista unha identificación cunha idea nacional contemporánea. Porén, a comparación das realidades catalá e vasca coa nosa é tan frecuente como errada no seu fondo. O feito de termos unha lingua nacional e historias máis ou menos parellas como comunidades oprimidas polo mesmo nacionalismo imperialista, non pode facernos fechar os ollos ante as tremendas diverxencias dos distintos proxectos, dos que o galego representa o máis diferente e particular. Só o prexuízo e un certo chauvinismo impide comparar o nacionalismo galego e as súas circunstancias con outros movementos sociais do Estado español ligados a cuestións identitarias ou territoriais e cos que, salvando a distancia de non teren unha lingua distinta, teríamos moito máis en común. O nacionalismo galego está asociado dunha forma evidente a unha clase social determinada e a unha orientación política concreta situada na ampla cartografía da esquerda.

Non se quere dicir con isto que non exista un nacionalismo alternativo, aínda que dende sempre, ou polo menos nos últimos vinte anos, permaneceu en posicións marxinais ou minoritarias. Hai unha lenda popular que se escoita a miúdo sobre que a solución do problema galego pasa por un nacionalismo de dereita ou de centro-dereita. Ben, romper a maioría estrutural do PP cunha división sería positivo dentro da catástrofe, e nese campo da historia-ficción, podemos velo como algo desexábel. Porén ou se produce unha ruptura nas filas populares que arrastre nichos de votos (moi complicada dende o éxito electoral) ou esa opción quedará para sempre en posicións de irrelevancia. Non é certo que non exista un nacionalismo alternativo á esquerda. Existe, e historicamente ten até unha construción intelectual e histórica relativamente sólida. E non só existe senón que leva presentándose ás eleccións ininterrompidamente dende a fin do franquismo, baixo distintas formacións e propostas e cuns resultados que, quitando a excepción conxuntural de Coalición Galega, non serviron nunca para obter representación. A realidade é que a aposta dun nacionalismo que non estea ligado dunha forma determinante á esquerda existe, pero non recibe votos. Na entrada anterior non falamos do resultado de Compromiso por Galicia, pero sería un exemplo máis desta dinámica, o enésimo intento de procurar o unicornio branco que permita cadrar a realidade galega co deseño feito polas irmás vascas e catalás. Moito traballo e moi arduo lle queda á nova formación se pretende constituír unha alternativa sólida, sobre todo tendo en conta que, cunha dereita españolista en situación crítica, non conseguiu mobilizar aos votantes para fóra do PP ou da abstención, nin sequera contando cun valor procedente do clan Cuíña.

A aposta de eliminar o protagonismo da esquerda da ecuación do nacionalismo galego, sexa de forma exclusiva ou sexa de forma convivencial, está condenada, hoxe por hoxe, ao fracaso. E aínda que é certo que algo de lexitimidade lle restará a Quintana, sobre todo agora que por fin deixou de ser o record negativo nos resultados electorais do Bloque, non podemos validar agora que o abrandamento do perfil político do Bloque servise para outra cousa que para comezar a catástrofe. Non quero glorificar os resultados de 1997 porque, alén de que non serviron para nada máis que para cimentar unha ilusión baleira e unha sensación falsa de forza, tiveron causas conxunturais que os fixeron posíbeis. Que o apoio ao nacionalismo galego (e non só a Beiras) aumenta coas ofensivas españolistas, por exemplo.

Porén, detrás do fulgurante crecemento do Bloque nos oitenta e noventa hai unha serie de factores que foron a clave de que pasase de ser un partido marxinal a ser unha forza hexemónica. O primeiro, que se presentaba como un partido cun compromiso de esquerdas sólido que manifestaba un apoio forte ás clases populares e se identificaba e implicaba nos seus problemas de forma directa. É algo que unha persoa de Allariz debería saber, da mesma forma que o sabemos os ártabros, que vimos no nacionalismo galego un apoio a loita do naval nun momento no que o PSOE facía a enésima traizón á clase obreira. A nefasta xestión deses movementos sociais nos últimos anos (Nunca Máis ou a oposición a Reganosa, por citar só dous) ou o divorcio directo e explícito con moitos deles supuxo unha evidente perda de activos sociais da que o propio Beiras advertiu antes da súa marcha. Un dos grandes méritos da Alternativa Galega de Esquerda foi precisamente recuperar o pulso dos problemas populares e implicarse coas preocupacións da xente da rúa. E o máis difícil foi que o fixo nunha marxe moi curta do tempo sen que parecese que o facía coa vista fixa nas urnas, fortalecendo a confianza que xa xeraban os seus candidatos.

Un segundo elemento clave é que a percepción do Bloque como un partido limpo, sen intereses electoralistas nin redes clientelares e cunha relación de oposición ao poder, desapareceu tras o seu paso polo goberno. Alternativa Galega de Esquerdas recupera esa imaxe, polo menos de momento, e atrae o voto do electorado máis crítico. Que os novos movementos antisistema comezasen a contar co BNG entre os seus obxectivos a carón do PSOE e do PP, debeu ser o primeiro sinal de alarma de que o paso polo poder, presentado no seu día como unha grande vitoria a pesar da perda de votos, foi mal xestionado e deixou a imaxe do partido tocada.

Con todo isto en conta, se cadra si chegue o día no que crear un nacionalismo non enrocado na esquerda. É un ideal que non comparto pero que me parece respectábel como horizonte a longo (moi longo) prazo, por máis que eu teña o meu propio, porén non é intelixente como lectura inmediata, nin serve para solucionar ningún dos aspectos da crise actual. O papel político do nacionalismo ten que manterse nun equilibrio moi complicado de conseguir, moito máis tendo en conta que nunca se procurou de forma consciente a activa: está a medio camiño entre a responsabilidade política de formar parte de gobernos amplos para expulsar á dereita e a distancia crítica que lle permita facelo sen perder a conexión cos movementos sociais e as expectativas do seu electorado. Un electorado que, mentres non se demostre outra cousa, está profundamente vinculado á esquerda crítica. E sobra dicir que o Bloque estaba moito máis perto disto con Beiras dentro que con Beiras fóra.

#Activismo e resistencia#Cotidiano#Galiza
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