16/05/2020 by marioregueira

As oportunidades perdidas

O debate sobre a norma ortográfica do galego é ideológico, não filológico. Agora falta que a imensidão dos filólogos galegos sejam conscientes disso. A necessidade de estabelecer que o galego é uma língua independente da Europa ou que galego e português são variantes locais do mesmo idioma é algo que tem que ver com geopolítica e sentimentos de identidade. Do ponto de vista da história da língua o debate é escasso e, como sempre que se busca um argumento definitivo com o que acalmar os ânimos, não o há. A filologia não nos vai dizer quanta percentagem de proximidade têm que ter duas variantes para ser consideradas o mesmo idioma. Há casos de línguas bem mais próximas que as nossas que são entes radicalmente independentes para a imensa maioria dos seus falantes, e outras que, sem ter essa coesão, serão sempre a mesma língua para estes. As causas são, outra vez, políticas. E na história convulsa da Europa estamos longe de ser uma excepção, corso e italiano, neerlandês e flamengo ou as duas normas escritas do norueguês são só três das dezenas de casos que enchem o mapa, todos com soluções diferentes.

Nesta perspectiva, o debate normativo parte de posições profundamente ideológicas. As duas legítimas já que, por mais que se acusem mutuamente do contrário, ambas acreditam ser a única solução de futuro para uma língua ameaçada. E seguramente também por isso, ambas com os seus excessos identitaristas, ambas com as suas ficções e revisões históricas, sempre mais terríveis e distópicas desde posturas oficiais, mas das que também não estão livres os rebeldes. O português nunca será uma língua “como qualquer outra língua peninsular” ante o galego. Como pouco, partilhamos uma parte muito relevante da sua história e o corpus literário medieval que manejamos criou-se a ambos lados do Minho como expressão do mesmo idioma. Há mais opções para o galego que a falsa dicotomia entre ser uma língua internacional ou ser uma língua minoritária e regional, uma questão que está mais relacionada com o status político do território que com conceitos de pureza linguística.

Enfrentar a festa das Letras com Carvalho Calero no ponto de mira é uma prova de tensão, uma prova para a que a cultura galega demonstra, mais uma vez, que não está preparada. Carvalho *Calero foi, a maior parte da sua vida, “Carballo” Calero, ainda que nos seus últimos anos decidiu ser coerente com a sua perspectiva linguística e adaptar a grafia do seu primeiro apelido (o único dos dois de origem galego-portuguesa). Mais alá de partilhar ou não esse ponto de vista, tomar em consideração outra coisa que não seja a vontade do autor em assinar como quiser é um indicativo de uma sociedade embebida até a medula em birras infantis. Camilo Gonsar é Camilo Gonsar, não o Camilo González Suárez-Llanos com o que assinou as suas primeiras obras. Seria uma atrocidade pôr Rosalía Castro de Murguía debaixo de qualquer das obras que a nossa autora mais referencial escolheu assinar com um nome diferente ao que os usos legais e sociais da época lhe obrigavam a empregar na vida civil. A imensa maioria dos nossos autores tiveram nomes forçosamente castelanizados baixo o franquismo que porém subverteram na sua prática literária e pelos que hoje os lembramos. Curiosamente, a Carvalho não se lhe reconhece essa liberdade. É surpreendente e triste ver figuras de muita mais idade que a que tinha o Carvalho que decide mudar a grafia do seu nome argumentando que devemos seguir a escrevê-lo com b, pois foi todo o produto de uma confusão ao que o submeteram os seus discípulos aproveitando-se da sua velhice.

Trata-se de um debate que não é novo, esta colecção de necrológios, que tomo emprestada do livro de Rafael Fernández Lorenzo, é exemplificativa de como, na Galiza, a Companha dos nossos mortos segue lutando as mesmas guerras que em vida, às vezes mudando involuntariamente de bando (ou militando simultaneamente nos dois). A Real Academia e algumas editoras parecem viver hoje nessa mesma esquizofrenia na que, ironicamente, é mais respeitável quem escreve hoje sobre Carvalho que a decisão que o próprio Carvalho tomou em vida. É fácil falar no nome dos mortos, o 17 de Maio tem-nos bem acostumados a este tipo de questões.

É inegável que Carvalho Calero é uma figura poliédrica, polêmica, contraditória, tão carismática como anti-carismática e, portanto, profundamente viva. Uma coisa que não acostumamos escutar é como o ferrolão está no germe do atual debate normativo. Se a postura reintegracionista é herdeira do Carvalho Calero último, a norma oficial procede da primeiro tentativa de estandardização do galego escrito. A Gramática elemental del gallego comum (1966), está assinada por “Carballo” Calero, dentro da intensa colaboração que o autor tinha com a *Galaxia de Ramón Pinheiro. Também está escrita em espanhol, como muitos dos ensaios que a editora publicava naquela época. Carvalho mudou de ideia, se calhar esta seja a melhor demonstração de que a questão não devera ser percebida como uma fé sectária, senão como uma postura que admite evoluções, debates e posicionamentos diversos.

Carvalho Calero podia ser uma oportunidade, uma celebração de como temos um país tão rico que admite diferentes perspectivas sobre a língua (uma situação fascinante desde o ponto de vista filológico) e como dá para transitar por elas ao longo de uma vida. Uma forma de lembrar que, dentro da Real Academia e mesmo dentro de Galaxia, conviveram e debateram pessoas que tinham visões diferentes sobre a língua que defendiam. Uma escusa para falar das potências e diversidades que nos deixa a história, e também para escutar aos outros e as suas razões. Por desgraça, não é esta a forma de superação do conflito que têm uma parte dos contendentes, especialmente desde o oficialismo. Como em muitos outros debates identitários, a destruição completa e incondicional do rival, acompanhada da manipulação da sua história, segue a ser o único modelo.

#carvalho calero#Día das Letras Galegas#galego-português

17/12/2018 by marioregueira

As versões do galego

Imagem de jcbrandon (CC BY 2.0)

Uma tragédia de Shakespeare. Assim qualificava Paul McCartney a história da banda Badfinger, de como o tiveram todo para triunfar (o próprio apoio dos Beatles a começos dos anos 70) e mesmo assim acabaram espatifándo-se, abrindo a caixa dos desastres, discos retirados e suicídios das suas principais figuras incluídos. Resulta curioso como a história do grupo é relativamente desconhecida, apesar da enorme popularidade dum dos seus temas. Whithout You, canção que ainda muita gente pensa que é de Nilsson, que a interpretou em 1972, e outra gente mais nova que é de Mariah Carey, que o fez em 1994. E não é tão estranho escutar pessoas de ambas gerações discutindo sobre se o tema é dum ou doutra.

Ninguém aguardava este ano a popularidade que as versões em galego tomariam na cultura de massas do Estado espanhol, também não que alguma delas acordaria velhas questões que, por momentos, parece que só têm importância na Galiza. Questões que aparecem conforme se vão apagando os ecos e vozes de alem-mundo da caverna espanhola depois duns meses de clamar contra a incorporação da Galiza na Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Placa no Castelo de Guimarães, adaptada de Béria L. Rodríguez (CC BY-SA 3.0)

Fala A Galiza português? Fala a lusofonia galego? A transmissão das línguas é similar à das versões musicais, ainda conservando uma parte importante da informação, ao menos a instrumentação e a voz que canta mudam. E porém, mesmo precisando duns segundos para dar-nos conta, se conhecemos a primeira, imediatamente entenderemos de que se trata da mesma música. Melhorada ou não, mas é uma simples versão. O que se fala a sul e norte do Minho deriva da mesma língua musical na que o compostelam Johán Airas e o rei português Dom Dinís compunham as suas cantigas. A gente do antigo Condado Portucalense, já convertido em reino pelos azares da História, levou-a primeiro ao sul da fronteira de Coimbra, e depois a América, África, Ásia e Oceânia. Em todos esses territórios misturou-se de novo, semeou línguas crioulas e contagiou-se de vozes indígenas e de palavras estrangeiras. É a mesma língua, na que, numa viagem de regresso desde o Brasil que a ele mesmo fascina, fala Caetano Veloso cada vez que nos visita. E claro que há diferenças, e nessas diferenças é que reside também uma parte da nossa identidade mas, se atendemos, podemos escutar o mesmo sotaque da Costa da Morte numa rua dos Açores, um velho refrão da nossa avó numa praia de Rio ou alguma das exclamações familiares em alguma ilha do Pacífico.

Num dos meus livros o protagonista fala dum disco de versões que está gravando. Fala delas como duma sorte de magia, da forma na que uma canção é reconhecível, mas também é diferente e ao mesmo tempo transportam-nos ao ponto no que a escutamos pela primeira vez. Gosto de pensar que algo disso se mantém na relação da língua galega com as suas variantes históricas, que serve para mantermos algo daquele primeiro eco no que tudo começava.

Por certo, uma das concursantes do certame musical Music Idol (edição búlgara) deixou atónito ao juri e a méio mundo quando anunciou que ia cantar Ken Lee de Mariah Carey. Porém, com melhor ou pior interpretação, ou com um sotaque mais ou menos marcado, o tema seguia a ser claramente Without You. De Badfinger, que eram galeses e tiveram uma má sorte digna duma tragédia de Shakespeare. Ou dalgum velho reino do sul da Europa.

Placa em Swansea-Abertawe, imagem adaptada de Reading Tom – (CC BY 2.0)

#Badfinger#Brasil#Gales#Galiza#Lusofonía#OT#Portugal#Reintegracionismo#Sabela

14/03/2014 by marioregueira

I’r Gad

11/03/2014 by marioregueira

Actitude Caernarfon

A cidade, se así se pode chamar a unha localidade que non chega aos dez mil habitantes, estivo a piques de ser a capital do país, pero foi desprazada a mediados dos cincuenta pola puxanza dun Caerdydd (Cardiff) que xa era naquel momento unha cidade moito maior e un núcleo poderosamente referencial. Aínda así, e como diciamos no post anterior, se o sur é onde están as grandes cidades, o norte de Gales é onde está o seu patrimonio histórico e lingüístico e, sen ningún status oficial que o confirme, Caernarfon segue a ser algo así como a capital histórica do país. Nela, concretamente no seu castelo, ten lugar a investidura do Príncipe de Gales, un acto tan importante no simbólico como polémico e que na súa última ocasión (1969) mobilizou o pouco independentismo armado galés que existía daquela para boicotealo.

A cidade é, ademais, a xoia da coroa da lingua galesa, se o norte é o lugar onde máis viva permanece, Caernarfon é o núcleo de poboación con maior porcentaxe de falantes, algo que, polo menos na miña experiencia, puiden percibir moi axiña e sen dúbida ten que ver cunha actitude consciente, particularmente nas persoas que están de cara ao público. Non era algo buscado, pero sen dúbida non foi casual acabar tendo conversas sobre a lingua galesa coa maior parte da xente coa que interactuamos. As persoas non perderon a oportunidade de alentarnos sobra a facilidade de acceder ao galés dende unha lingua ibérica, ou de comunicarnos a existencia dunha longa comunidade bilingüe hispano-galesa na Patagonia, un dos poucos casos nos que a lingua dunha nación sen Estado floreceu no alén mar da emigración. Finalmente, e tras revelar que viñamos da Galiza, algún tamén preguntou sobre se tiñamos lingua propia e se eramos independentistas. Supoño que a pregunta que moitas das persoas que partimos de culturas minorizadas agardamos escoitar nas viaxes ao estranxeiro e que só se reproduce nun contexto coa mesma noción de estar a resistir que podemos ter nós. Se me guío unicamente pola experiencia dun día, diría que cada persoa de Caernarfon traballaba como embaixadora da súa lingua e da súa cultura, dándolle unha visibilidade que doutra forma non tería. E non só iso, senón que o facía por propia vontade e convencemento, sen estar a traballar dende estruturas organizativas de normalización lingüística.

Serve de algo a Actitude Caernarfon? Ben, podo dicir que a idea de chegar a aprender galés ocupaba un lugar moi remoto nas miñas expectativas, porén si que me fixo pensar na posibilidade de iniciar aínda que fose un coñecemento rudimentario e tamén desmontou algúns dos prexuízos que levaba sobre a lingua, relativizando a idea sobre a súa enorme dificultade que outra xente me transmitira. É bastante probábel que esa dificultade exista, pero a xente de Caernarfon fíxome pensar que é mellor descubrilo a través dunha experiencia directa. Dalgunha forma, convencéronme para darlle unha oportunidade á aprendizaxe dunha lingua na que só estaba interesado de forma moi superficial e desde unha perspectiva puramente sociolingüística. Hai campañas institucionais que non conseguiron tanto.

Resulta frecuente escoitar en contextos similares argumentos éticos sobre o deber de aprender unha lingua minorizada. Non podo dicir que non os comparta e penso que a sensibilidade sobre a riqueza lingüística e o respecto ás comunidades ameazadas é unha das moitas materias pendentes que teñen as sociedades europeas. Para min, di moito dunha persoa que decida aprender a lingua minorizada do país no que está vivindo, con independencia da verdadeira pericia que chegue a desenvolver nela. Porén, ás veces esquecemos que a sensibilidade lingüística é algo que se traballa e que, sen renunciar ao horizonte legal ao que temos dereito, podemos facer moito máis pola nosa lingua cunha actitude de convencemento que con esas ferramentas. Se cada galegofalante fose un embaixador ou embaixadora da lingua con cada persoa estranxeira que pasa polo noso país, a imaxe e a lexitimidade da nosa loita tamén mellorarían, e se cadra conseguiriamos até aumentar o número de neofalantes entre nós. Naturalmente, para iso faría falta, antes que nada, ter unha autoconsciencia da imaxe da nosa lingua entre as persoas galegofalantes que posibelmente esteamos lonxe de ter e que podería ser o primeiro grande problema. Da mesma forma, outras limitacións pexan tamén a cuestión do galés, un tema co que, nos próximos días, remataremos esta serie de entradas.

#Activismo e resistenca#Caernarfon#Gales#Lingua#Viaxes

07/03/2014 by marioregueira

Croeso

Non atopei a choiva nin a néboa da que falan os tópicos. Días de ceos abertos e sol de inverno acompañaron a miña entrada no País de Gales, como se quixesen demostrarme que tiña que mirar máis aló dos mitos. Dalgunha forma é por iso polo que viaxamos, para derrubar as cousas que nos contaron sobre os países e enfrontarnos á súa realidade palpitante, os raios de sol dando a miña benvida á rexión de Gwynnedd eran unha boa proba diso. Resulta evidente dende o principio que ese histórico norte que acolleu a fundación do país está lonxe en moitos aspectos da idea xeral que temos sobre Gales. Ningún equipo xogando na premier inglesa, ningunha cidade medianamente grande, só pequenas vilas rodeadas de castelos, a quilómetros do eixo Cardiff-Swansea, un sur separado tamén pola configuración colonial das comunicacións, que obrigan a pasar por Inglaterra para viaxar entre as distintas caras do país.

A identidade subalterna non se le só nos pequenos núcleos urbanos, a súa configuración como tesouro natural e destino de xubilación moveu máis dunha vez as forzas independentistas, que actuaron contra a invasión tranquila dunha sociedade completamente reticente a integrarse no país. Non por nada o norte é tamén o lugar onde a lingua se mantén viva e vizosa, un reduto que, sospeito, sobreviviu refuxiado nesa mesma tranquilidade que defenderon con uñas e dentes en varias ocasións. Descoñezo porén se o movemento nacionalista reaccionou algunha vez contra o discurso da apoloxía paisaxista, aínda que fose nunha novela periférica ou nun ensaio académico. Se algunha vez berraron que ser galés é unha merda.

Ben, iso pode ser que o pensaramos algunha vez. Nun contexto no que non protagonizaron a grande insurxencia armada nin o camiño tranquilo pero firme cara a un referendumn pola independencia, Gales semellou algunha vez unha figura pasiva que lembra moito á do noso país no xogo nacional ibérico. E porén, a grande cuestión é, como me dixo alguén, que a pesar de ser o país que o tiña todo en contra e que podía ser asimilado moi facilmente, ningunha das nacións veciñas conservou a súa lingua e a súa cultura tan vivas, nin sequera aquelas que conseguiron a independencia. Si, iso é algo que tamén lembra a este país e por máis que, como neste país, estean en caída libre e teñan tanto a mellorar, conservan o orgullo e a memoria da loita lingüística máis viva do que imaxinamos. Da lingua, porén, falaremos nos próximos días, chega dicir de momento que si a escoitei, e que mesmo a escoitei moito. E non falo só da noite do Saint David, a celebración do día nacional galés onde alguén nos pediu entoar tamén o himno galego na parte final da noite, senón tamén nas rúas, nos pubs e entre a mocidade, alén da súa omnipresenza en indicadores e carteis bilingües.

Non é a última visita, aínda que non o pareza, quedan castelos e torres circulares por ver, palabras e historias galesas que recitar e unha comunidade galega inesperada da que seguir aprendendo. Entrei en Gales cun libro de Dylan Thomas e saín cun album de fotografías da loita pola lingua e unha camiseta dun equipo da liga galesa. Non podemos evitar abrazar as periferias, se cadra por iso estiven falándolles aos alumnos de galego de Bangor de Lois Pereiro e dos Sex Pistols, de como era ser galegofalante en Ferrol, do valor que teñen as fronteiras e os espazos intermedios nos meus libros. E sospeito que, como periferias temos aínda moito que contarnos, moito que aprender e moitos mitos que ir derrubando.

#Activismo e resistencia#Cotidiano#Gales#Lingua#Viaxes

20/02/2014 by marioregueira

A Noite é necesaria

A Noite é necesaria
pra que ti poidas ver
sobre o medo e o mal
as estrelas arder.

Onte comezaba, co centenario do poeta, o ano Díaz Castro. Facíao por ese estraño calendario das nosas letras que rexe os seus propios ritmos. O autor a quen a beleza ferira para sempre, poeta dun único libro, e segundo as malas linguas (mal informadas, sobre todo), dun único poema, cumpría cen anos o mesmo 2014 no que as Letras Galegas decidiran, nun dos momentos máis convulsos da Academia, honrar a súa memoria.

Houbo medios de comunicación que se alegraron da escolla interpretando que o autor de Guitiriz fechaba unha época na Academia, unha época na que autores díscolos como Uxío Novoneyra, Lois Pereiro ou Roberto Vidal Bolaño politizaran en exceso unha festa que debera ser, ou así a entenden os bos galegos, neutral. Até o empresario Valentín Paz Andrade acabou por revelarse como unha figura incómoda, con ideas molestas e unha obra poética e ensaística moi pouco presentábel en canto a neutralidade. Sen dúbida Díaz Castro, poeta vencellado ao Seminario de Mondoñedo, que nunca se meteu en política e dunha relixiosidade que sobresae en cada poema, era o homenaxeado que os apolíticos preferiran, unha volta ao rego que impedía mover demasiado unha festa que nunca debeu pasar de ser un evento cultural.

Como xa falamos algunha vez a conto das manipulacións sobre Rosalía, a propia interpretación interesada de certos autores polos sectores máis reaccionarios é unha confirmación do seu enorme poder social e político, mesmo máis aló dos anos. Tamén ratifica que a literatura galega, polo seu propio contexto e a súa propia historia, é unha literatura que xogou a carta política mesmo cando os seus autores trataron de evitala. O mero feito de escribir na nosa lingua foi  moi a miúdo equivalente a facelo dende un campo de prisioneiros ou dende unha reserva india. Ás veces non é necesario explicitar un discurso para que este se faga evidente, o propio Manuel Antonio entendeu algunha vez que, por moito que quixese despolitizar a súa obra, o simple feito de estar a construíla nunha lingua de minorías sociais convertíaa nunha peza profundamente imbricada nesa realidade.

A tentativa de presentar un Díaz Castro descafeinado e neutral fala máis de quen a promociona que dos que vamos celebralo coa mesma intensidade que os queridos autores que o precederon. Díaz Castro foi un poeta que se mantivo lonxe de toda militancia, mais tamén foi un escritor que non puido evitar reflectir a abafante realidade que vivía a súa terra, mesmo estando afastado dela. Todo Nimbos é un canto profundo de amor á Galiza, mais tamén non pode lerse sen ter en conta o momento socio-político no que está composto. A queixa e a preocupación polo país que non move a tea dos seus soños, pola Galiza detida no tempo que moitos quererían así para sempre, están tan presentes na súa obra que admira que haxa quen pretenda pasalos por alto. E unha vez máis, a escolla da lingua é relevante, moito máis se temos en conta que o autor coñecía moitas outras coas que gañaba a vida e que pasou a maior parte da súa existencia en Madrid onde lle sería doado, como lle foi a tantos outros, esquecer as súas orixes.

Como ben dixo o poeta neses versos que poderían disputar espazo nas carpetas dos adolescentes á vella máxima de Tagore, a Noite é necesaria. Sen a Noite non veriamos os versos luminosos do Poeta Díaz Castro resplandecendo a súa dignidade por riba dos corenta anos de infamia que pretenderon facer desaparecer a nosa cultura ou coutala até o simple folclorismo. Sen esta Noite que agora ataca a nosa lingua tampouco poderiamos repetir os versos de Nimbos sorrintes e co ton orgulloso que podemos atoparlles, caendo como o orballo fresco na madrugada e temperando os nosos ánimos nos tempos sempre atroces. Obrigados pola Noite que fai resplandecer como lóstregos as expresións máis inocentes da nosa cultura. Obrigados por esa escuridade na que, até os homes tranquilos e temerosos do deus cristián, se remexen inquedos pola fortuna da súa terra e da súa lingua.

#2014#Activismo e resistencia#antifranquismo#cristianismo#Díaz Castro#Letras Galegas#Lingua#Literatura#Resistencia

28/01/2013 by marioregueira

Falemos galego

Xa o dicían os míticos da Roda en época tan temperá como o 1979: falemos galego na rúa e na escola. O que ninguén sospeitaba é que, máis de trinta anos despois, os lemas inxenuos do principio da chamada transición política volverían coa súa candidez, obrigados por circunstancias atroces. Non sei se fun o único que se decatou do punto surrealista que tiña a mobilización de onte, comezando polo lema. Queremos galego na escola é unha proclama do final da ditadura, non de 2013. E seguramente sexa ese un detalle que, no fragor das batallas, está pasando desapercibido: a forma na que estamos obrigados a rebaixar o horizonte de expectativas da nosa lingua. Se hai anos alguén me preguntase en que manifestacións relacionadas co galego me vería no 2013, seguramente respondería que en ningunha, ou en todo caso, nas que atinxían a problemáticas concretas: o galego na universidade, o galego na ciencia, o galego como lingua internacional… En ningún caso agardaría ter que seguir loitando por algo polo que xa loitaran as xeracións precedentes. O camiño que quedaba por andar era lento e frustrante, pero de ningunha forma parecía que puidese incluír un retroceso tan brutal como o que sofreu o estatus da nosa lingua nestes anos.

A pesar de que a escalada lexislativa castelanizadora non é só contra a lingua galega, e responde ás mesmas concepcións caducas e imperialistas do Estado español que o levarán cara á súa última debacle, é certo que o caso da nosa terra segue a ser particular. Nunha realidade enrocada na esencialidade do poder político, a forma de medir a importancia da nosa cultura pasou e pasa polo cálculo de deputados galeguistas nas distintas esferas de poder. E non cabe dúbida que é unha cuestión importante, pero moi habitualmente esquecemos que cada unha das nacións históricas do Estado español ten a súa propia circunstancia e que, de todas elas, a máis disímil é precisamente a nosa. Nin vascos nin cataláns mantiveron as súas linguas coa mesma saúde que a nosa, que aínda hoxe pode dicir de si mesma que é a lingua cooficial con máis falantes porcentuais no seu territorio e a única que supera nese aspecto ao castelán. Os nosos veciños tamén non desenvolveron as súas ideoloxías políticas dándolle ás respectivas linguas a centralidade que a galega ten no pensamento galeguista. Aquel “se aínda somos galegos é por obra e gracia do idioma” de Castelao tiña moito de fundacional e aínda hoxe funciona como único baremo da galeguidade para moitas capas da poboación. En parte, esa saúde, cimentada sen dúbida en causas conxunturais como o afastamento e abandono por parte do poder central, que favoreceu unha ruralización persistente da nosa terra, serviu ironicamente como un freo a determinadas posicións políticas. É moi difícil convencer unha sociedade de que a lingua que fala o 90% dos seus membros está en perigo de morte. A diferenza entre bilingüismo e diglosia, problema ao que xa se enfrontaran os primeiros galeguistas, ten, queiramos ou non, unha dimensión sutil da que aínda hoxe é allea a maior parte da poboación. A súa simplificación e a negación do conflito lingüístico segue a ser algo tristemente presente nos discursos antigalegos, da mesma forma que o foi durante a longa noite do fraguismo.

Porén, se o galego vai ser a lingua máis difícil de marxinalizar na uniformización que pretende a dereita española, si que é certo que a súa posición de avantaxe obxectiva foi algo que non soubemos xestionar nestes últimos trinta anos. A caída libre na que se atopa fai aínda máis doloroso ter que volver a proclamas dos anos setenta, as mesmas que saían nas portadas dos discos da Roda. Porén, tamén é agora, nunha situación crítica, cando máis precisa a nosa lingua do noso compromiso. Un compromiso individual, diario, que non renuncie a ningunha das batallas cotiás. E tamén un compromiso colectivo, aínda que só sexa para que dentro de trinta anos, alguén lea nas crónicas xornalísticas que unha enorme representación da sociedade galega se rebelou nos violentos anos dez contra a perda da súa identidade.

#Activismo e resistencia#Galiza#Lingua

06/10/2012 by marioregueira

Un galego de Tui

Hai máis de quince anos que Sánchez Gordillo e Mario Conde se atoparon cara a cara. Era o Primeiro de Maio de 1997 e o Sindicato de Obreros del Campo dirixíase a unha das fincas do banqueiro para tomala simbolicamente. Concienciados de que posibelmente terían que repeler as agresións dun hipotético desaloxo, os compañeiros andaluces non estaban preparados porén para o desenvolvemento posterior dos acontecementos. Un campechano Mario Conde achegábase á porta da finca e tras pactar unha ocupación limitada do predio, ofrecíase a compartir con eles o almorzo e unhas cañas. A noticia deu a volta ao mundo e aínda hoxe é ben lembrada. Mario Conde, en liberdade baixo fianza por aquilo, saía ao paso con grande desenvoltura dunha situación violenta e pasaba a celebrar o Primeiro de Maio entre desconcertados xornaleiros aos que alcumaba de “convidados” na “súa” casa.

No fondo, o que Mario Conde fixo non foi máis que aplicar os principios da vida empresarial á vida real. Nunha situación na que unha carga policial podía lixar aínda máis a súa imaxe, o banqueiro confía na súa capacidade para pactar e sacar beneficio da conxuntura. Pero un acordo entre dous homes de gravata nun gabinete bancario parécese pouco ao que pode facer un deles diante dunha turba de obreiros, cento cincuenta anos de marxismo son unha boa proba diso. É necesario que a turba sinta que está a tratar cun igual ou cunha persoa que empatiza, aínda que sexa minimamente, coas súas aspiracións. Se cadra por iso Mario Conde aparece ante os traballadores do SOC a pé, disposto a falar de igual a igual con eles, cun trato extremadamente amábel e ostentando un marcado acento andaluz.

Os locutores que daban a noticia non deixaron de destacalo: observen o acento andaluz deste galego de Tui. E os que observabamos non saiamos do noso asombro.

Dende que souben que Mario Conde ía facer paracaidismo nas vindeiras eleccións galegas non puiden evitar un interese punzante sobre como enfrontaría a cuestión da lingua. Ao longo da miña vida teño experimentado situacións lingüísticas que lembraban esa imitación de acentos. Empresarios que en privado defenden a erradicación do galego do programa educativo pero que á hora de tratar cos paisanos non deixan de empregalo, mesmo imitando as súas variantes léxicas locais. No fondo, sempre pensei que a actitude do fraguismo cara á lingua tiña moito dese “saber estar” da vida empresarial, cun pouso un tanto hipócrita que nace da tentativa de acadar un bo acordo. Sobra dicir que esas tácticas de empresa han de ter moito en común co modus operandi dalgunha caste de estafadores, polo menos na medida na que procuran unha sensación de proximidade similar. Ao fraguismo o acordo, (ou a estafa), saíulle ben, e os xornaleiros comeron bocadillos con eles durante moitos anos e aceptaron quedar na entrada das fincas que, por dereito histórico, social e moral, lles pertencían. A miña aposta era que Mario Conde, ao contrario do que fixo Feijóo, non axitaría a bandeira da crispación lingüística e recollería sen dúbida o exemplo do vello dinosauro: falamos galego por aquí e acolá, visitamos unhas cantas feiras gastronómicas e recoñecemos unha lexislación nominal de defensa da lingua pola que non moveremos un dedo na vida.

Porén, o galego de Tui está enferruxado ou non acabou de comprender as regras que rexen na terra que o viu nacer e á que pretende representar politicamente. Lonxe de tomar a defensa nominal do bilingüismo, e de paso clases de galego, limitouse a imitar (un tanto ridiculamente) outro acento distinto e a falar do moi verídico perigo que ten o castelán de ser absorbido polo galego. Non contento con iso, na súa entrada triunfal, toca o (pouco polémico) tema da identidade do galego e do portugués e saca a colación o exemplo do seu primo (?), aquel que deixou o galego porque se decatou de que levaba vinte anos facendo o parvo e de que ninguén o quería. Dúas sensacións que, sospeito, o outro primo Conde experimentará moi axiña nas súas carnes.

O exemplo, ou contraexemplo, do magnate tudense serve para ilustrar como a cuestión lingüística galega segue pexada dun odio ideolóxico que soborda as achegas de calquera partido non galeguista. Noutras ocasións temos falado do absurdo que representa que moitas empresas rexeiten o emprego do galego aínda asumindo as perdas económicas que implica renunciar á lingua máis falada do país. Unha vez máis, os grandes empresarios non confían sequera na ilusión de tratar á inmensa maioría deste pobo como iguais. Ou se cadra é que aínda non damos tanto medo como unha turba de xornaleiros andaluces cercando unha propiedade. E se cadra sexa hora de poñer remedio a iso.

#Activismo e resistencia#Cotidiano#Galiza#Lingua

02/10/2012 by marioregueira

Amén

Máis tarde chegan os cataláns Carles Riba e a súa muller Clementina Arderiu; Blai Bonet, Foix e o valenciano Fuster, tan amigos e tan preocupados e curiosos polas cousas literarias da Galiza e pola súa lingua. (A propósito: estes estupendos e cultos poetas en lingua catalá, prevíronme seriamente contra os filólogos e -sobre todo- contra os afeccionados á filoloxía, no sentido de que, quizais sen querelo, son os inimigos máis perigosos que temos os que cultivamos as linguas minoritarias, porque, a historia, a socioloxía, a literatura, eles redúceno todo a problemas da súa especialidade.)

Celso Emilio Ferreiro, citado por Ramón Nicolás en Onde o mundo se chama Celso Emilio Ferreiro, (trad. do autor deste blogue)

#Epigramas#Galiza#Lingua#Literatura
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