31/08/2020 by marioregueira

(galego) A verosemellanza e os pactos

26/08/2020 by marioregueira

(galego) Ese anaco de horizonte

16/05/2020 by marioregueira

As oportunidades perdidas

O debate sobre a norma ortográfica do galego é ideológico, não filológico. Agora falta que a imensidão dos filólogos galegos sejam conscientes disso. A necessidade de estabelecer que o galego é uma língua independente da Europa ou que galego e português são variantes locais do mesmo idioma é algo que tem que ver com geopolítica e sentimentos de identidade. Do ponto de vista da história da língua o debate é escasso e, como sempre que se busca um argumento definitivo com o que acalmar os ânimos, não o há. A filologia não nos vai dizer quanta percentagem de proximidade têm que ter duas variantes para ser consideradas o mesmo idioma. Há casos de línguas bem mais próximas que as nossas que são entes radicalmente independentes para a imensa maioria dos seus falantes, e outras que, sem ter essa coesão, serão sempre a mesma língua para estes. As causas são, outra vez, políticas. E na história convulsa da Europa estamos longe de ser uma excepção, corso e italiano, neerlandês e flamengo ou as duas normas escritas do norueguês são só três das dezenas de casos que enchem o mapa, todos com soluções diferentes.

Nesta perspectiva, o debate normativo parte de posições profundamente ideológicas. As duas legítimas já que, por mais que se acusem mutuamente do contrário, ambas acreditam ser a única solução de futuro para uma língua ameaçada. E seguramente também por isso, ambas com os seus excessos identitaristas, ambas com as suas ficções e revisões históricas, sempre mais terríveis e distópicas desde posturas oficiais, mas das que também não estão livres os rebeldes. O português nunca será uma língua “como qualquer outra língua peninsular” ante o galego. Como pouco, partilhamos uma parte muito relevante da sua história e o corpus literário medieval que manejamos criou-se a ambos lados do Minho como expressão do mesmo idioma. Há mais opções para o galego que a falsa dicotomia entre ser uma língua internacional ou ser uma língua minoritária e regional, uma questão que está mais relacionada com o status político do território que com conceitos de pureza linguística.

Enfrentar a festa das Letras com Carvalho Calero no ponto de mira é uma prova de tensão, uma prova para a que a cultura galega demonstra, mais uma vez, que não está preparada. Carvalho *Calero foi, a maior parte da sua vida, “Carballo” Calero, ainda que nos seus últimos anos decidiu ser coerente com a sua perspectiva linguística e adaptar a grafia do seu primeiro apelido (o único dos dois de origem galego-portuguesa). Mais alá de partilhar ou não esse ponto de vista, tomar em consideração outra coisa que não seja a vontade do autor em assinar como quiser é um indicativo de uma sociedade embebida até a medula em birras infantis. Camilo Gonsar é Camilo Gonsar, não o Camilo González Suárez-Llanos com o que assinou as suas primeiras obras. Seria uma atrocidade pôr Rosalía Castro de Murguía debaixo de qualquer das obras que a nossa autora mais referencial escolheu assinar com um nome diferente ao que os usos legais e sociais da época lhe obrigavam a empregar na vida civil. A imensa maioria dos nossos autores tiveram nomes forçosamente castelanizados baixo o franquismo que porém subverteram na sua prática literária e pelos que hoje os lembramos. Curiosamente, a Carvalho não se lhe reconhece essa liberdade. É surpreendente e triste ver figuras de muita mais idade que a que tinha o Carvalho que decide mudar a grafia do seu nome argumentando que devemos seguir a escrevê-lo com b, pois foi todo o produto de uma confusão ao que o submeteram os seus discípulos aproveitando-se da sua velhice.

Trata-se de um debate que não é novo, esta colecção de necrológios, que tomo emprestada do livro de Rafael Fernández Lorenzo, é exemplificativa de como, na Galiza, a Companha dos nossos mortos segue lutando as mesmas guerras que em vida, às vezes mudando involuntariamente de bando (ou militando simultaneamente nos dois). A Real Academia e algumas editoras parecem viver hoje nessa mesma esquizofrenia na que, ironicamente, é mais respeitável quem escreve hoje sobre Carvalho que a decisão que o próprio Carvalho tomou em vida. É fácil falar no nome dos mortos, o 17 de Maio tem-nos bem acostumados a este tipo de questões.

É inegável que Carvalho Calero é uma figura poliédrica, polêmica, contraditória, tão carismática como anti-carismática e, portanto, profundamente viva. Uma coisa que não acostumamos escutar é como o ferrolão está no germe do atual debate normativo. Se a postura reintegracionista é herdeira do Carvalho Calero último, a norma oficial procede da primeiro tentativa de estandardização do galego escrito. A Gramática elemental del gallego comum (1966), está assinada por “Carballo” Calero, dentro da intensa colaboração que o autor tinha com a *Galaxia de Ramón Pinheiro. Também está escrita em espanhol, como muitos dos ensaios que a editora publicava naquela época. Carvalho mudou de ideia, se calhar esta seja a melhor demonstração de que a questão não devera ser percebida como uma fé sectária, senão como uma postura que admite evoluções, debates e posicionamentos diversos.

Carvalho Calero podia ser uma oportunidade, uma celebração de como temos um país tão rico que admite diferentes perspectivas sobre a língua (uma situação fascinante desde o ponto de vista filológico) e como dá para transitar por elas ao longo de uma vida. Uma forma de lembrar que, dentro da Real Academia e mesmo dentro de Galaxia, conviveram e debateram pessoas que tinham visões diferentes sobre a língua que defendiam. Uma escusa para falar das potências e diversidades que nos deixa a história, e também para escutar aos outros e as suas razões. Por desgraça, não é esta a forma de superação do conflito que têm uma parte dos contendentes, especialmente desde o oficialismo. Como em muitos outros debates identitários, a destruição completa e incondicional do rival, acompanhada da manipulação da sua história, segue a ser o único modelo.

#carvalho calero#Día das Letras Galegas#galego-português

02/03/2020 by marioregueira

(galego) As chamadas

07/12/2019 by marioregueira

(galego) Volver ás librarías

Desculpe-nos, mas este texto esta apenas disponível em Galego.

18/10/2019 by marioregueira

(galego) Matar o recadeiro, III Premio de Xornalismo Manuel Lueiro Rey

12/04/2019 by marioregueira

Se isto é un homem

Primo Levi (1960)

Era o Inverno de 1943 quando o grupo de Primo Levi (Torino, 1919), que tratava de unir-se à Resistenza partigiana, foi capturado pelas forças fascistas. Ante a perspectiva de uma execução sumária, Primo confessa ser judeu, algo que lhe serviria para ser transferido a um campo de concentração em Fossoli desde onde, algumas semanas depois, será embarcado nos infames vagões de gando, e junto com centos de pessoas mais, em direcção ao complexo de campos de Auschwitz. Continuar lendo no Sermos Galiza [GAL].

#Activismo e resistencia#Crítica#Holocausto#II Guerra Mundial#Literatura#Memoria#Primo Levi#Tradución

30/12/2018 by marioregueira

A orde do dia

Como um ferimento que examinamos uma e outra vez e por isso mesmo não acaba nunca de fechar. A memória do nazismo segue dando voltas por Europa arrastando a sua vida intelectual pelos mais diversos becos, muitos deles sem saída. A verdade é que há uma afixação à hora de explicar o mal que aconteceu entre os anos trinta e quarenta do passado século que só pode perceber-se em chave de superioridade moral. O que arrepia nos círculos intelectuais dos nossos dias é que fossem europeus de uma das sociedades mais desenvolvidas da época matando sistematicamente os seus próprios cidadãos. Estas condições nunca voltaram repetir-se integramente, e pareceria que o mundo vê ainda como factos muito menos graves os genocídios organizados que aconteceram na Ásia ou África. E com uma cumplicidade arrepiante que os seus próprios governos participassem nos últimos anos bombardeando lugares distantes como Líbia ou Iraque. Para a memória do nazismo criaram-se explicações que a dia de hoje ainda se esgrimem no debate intelectual: entre as mais divertidas, as que responsabilizam elementos como a própria cultura ou o desenvolvimento técnico, ainda que não fica atrás o recurso à banalidade do mal, que de alguma forma implica que qualquer funcionário gris pode transmutarse da noite para a amanhã num genocida, passando por alto o processo político e social que produz essa mesma oportunidade.

A ordem do dia de Éric Vuillard, atirada há uns meses por Kalandraka em tradução ao glaego de Antía Veres, é uma obra que surpreende por conseguir oferecer um enfoque que resulta inovador, ainda que não deixe de voltar por alguns dos velhos caminhos trilhados. O ponto de partida do livro, o mesmo que se destaca na apresentação editorial fala de como “As pessoas passam, mas os grandes capitais perduram”. O encontro da alta hierarquia nazista com representantes empresariais alemães de marcas ainda presentes hoje no nosso dia a dia como Opel, Siemens, Bayer ou Allianz dá início a um romance atípico, composta por estampas históricas de corte realista e com uma trama principalmente expositiva que poderia emparentala com o género do documentário histórico. E apesar disto, é uma lástima que Vuillard não responda completamente a esse ponto de partida inicial de perseguir os fios dos grandes capitais desde o seu apoio ao Partido Nazista até os nossos dias e passe a se ocupar doutros episódios históricos que reduzem este marco a pouco mais que um vistoso relato. A anexação da Áustria, a política expansionista e intimidatória de Hitler, ou os truques que na política internacional lhe permitiram mover os marcos duma Europa incapaz de reagir, centram os principais temas do romance.

Um percurso que parece a enésima referência a esses homens de se bem que não fã nada e permitem que o mal triunfe, passando por alto a grande responsabilidade dos governos europeus que permitiram medrar o nazismo como estratégia de contenção ante a ameaça soviética. Não é a passividade do chanceler austríaco Kurt Schuschnigg diante de Hitler o que condena a Europa, mais que nada porque Schuschnigg não era outra coisa que o líder de uma ditadura nacional-católica que só se viu ameaçada por Hitler por ter as fronteiras perto de mais da Alemanha. Um erro de perspectiva que peja um romance que mesmo assim consegue deixar-nos reflexões relevantes e poucas vezes lembradas. Como essa reflexão final na que se nos diz que nunca tropeçamos duas vezes no mesmo abismo, mas que voltaremos cair num novo e será da mesma forma: com uma mistura de ridículo e pavor.

#Activismo e resistencia#Antía Veres#Éric Vuillard#Historia#II Guerra Mundial#Kalandraka#Novela
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